Dinheiro pode mesmo comprar felicidade?

Compreenda alguns pontos de vista sobre esse dilema que parece não ter solução

A indagação que dá título a este artigo é uma daquelas perguntas que valem 1 milhão de dólares. Afinal, há séculos lidamos com esse dilema, sem termos chegado a um grande consenso entre pessoas de diferentes credos e origens.

De forma mais ou menos objetiva, podemos identificar problemas em duas situações: no excesso e na escassez de dinheiro. Pode acreditar, lidar com grandes cifras pode ser um enorme problema para quem não está preparado. Quanto à falta de dinheiro, não precisamos nem listar os problemas que decorrem dessa situação.

Sem a pretensão de esgotar a discussão ou entrar em uma longa divagação filosófica sobre o tema, trouxemos resultados de alguns estudos que buscaram entender se dinheiro traz ou não felicidade. Acompanhe!

Identificando o rendimento ideal

Seria possível prever qual o rendimento ideal para o “cidadão médio”? Isto é, entre qual intervalo de renda as pessoas se considerariam mais felizes? O psicólogo Angus Deaton e o Nobel em economia Daniel Kahneman chegaram a essas cifras de estudo realizado na Universidade de Princeton. Para isso, a percepção sobre o rendimento ideal de mais de 450 mil americanos foi acompanhada durante dois anos.

Ao final da pesquisa, o número mágico encontrado foi um salário anual de $75 mil ou R$ 285 mil. Nada mal não é mesmo? Mas isso significa que o brasileiro que está longe de alcançar um salário próximo a R$ 24 mil mensais é ou será infeliz?

De forma alguma, pois como já destacado, os números se referem a uma percepção da média da população, sendo que boa parte das pessoas pode considerar precisar de muito mais ou muito menos dinheiro.

Felicidade como superação de expectativas

Mais do que pensar em um rendimento ideal médio concebido pela população, podemos trabalhar a ideia de felicidade como superação de expectativas, sejam elas financeiras ou não. Nesse caso, devemos compreender que nossa realização está vinculada ao que projetamos.

Pense, por exemplo, em suas pretensões para o futuro aos 16 anos de idade. Naquele momento, até onde você imaginava chegar? Quais conquistas se apresentavam como possíveis?

Imaginemos que sua realidade fosse marcada por dificuldades, em um contexto familiar difícil, com pouco apoio para seguir estudando e ingressar no ensino superior. No entanto, apesar dos problemas, você conquista seu diploma e começa a exercer a profissão que sempre sonhou. E o melhor: sendo financeiramente bem valorizado.

Esse é um típico caso em que a realidade superou as expectativas. Na prática, isso se traduz em felicidade, pois o seu futuro mais provável lhe reservava menos realizações do que aquelas que se concretizaram.

Na ocasião em que as expectativas ficam distantes de serem concretizadas, temos a situação inversa, marcada por infelicidade. Afinal, você esteve longe de realizar o que projetou.

Esse binômio expectativa x realidade pode muito bem ser aplicado à questão financeira. Isto é, se você prosperou muito mais do que pensava em determinada fase de sua vida, suas chances de se mostrar satisfeito em relação ao dinheiro são grandes. Caso tenha acontecido uma frustração de expectativas, a insatisfação é quase certa.

Benefícios do altruísmo  

Outro aspecto interessante de ser destacado na hora de responder se dinheiro traz felicidade, é compreender os benefícios para quem pratica ações altruístas, benevolentes com os recursos que detém.

Em pesquisa conduzida pela University of British Columbia (UBC) e pela Harvard Business School, uma equipe de psicólogos buscou “medir a felicidade” de quem recebe e oferece bonificações em dinheiro.

Para isso, um grupo de voluntários recebeu determinada quantia em dólares para gastar consigo mesmo, enquanto outro recebeu a mesma quantia para doar a outras pessoas.

Terminado o experimento, os testes psicológicos aplicados deram conta de que quem utilizou recursos para ajudar terceiros apresentou maior nível de felicidade em relação aos demais colegas que apenas destinaram os gastos para atender a seus próprios desejos.

Depois de conferir essa publicação, você conseguiria responder se dinheiro traz felicidade? Sem a pretensão de responder a essa pergunta tão subjetiva, tentamos trazer a ideia de que podemos enxergar a questão sobre vários aspectos, sendo que a forma como o indivíduo se porta frente à vida, seu contexto social e familiar pode fazer toda a diferença em sua relação com o dinheiro.

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