A poupança do Brasil

Muitos se perguntam se ainda vale a pena investir na poupança

O ano é 1990 e o Brasil vivia um de seus momentos históricos mais marcantes. O presidente era Fernando Collor de Mello que um dia após sua posse anunciou um plano econômico arriscado que colocou em jogo todo o seu governo. O chamado Plano Brasil Novo (ou Plano Collor) previa confisco por 18 meses do dinheiro depositado nas cadernetas de poupança com mais de Ncz$ 50 mil (Cruzado novo) com correção e 6% de juros ao ano.

A ocasião era um feriado bancário, quando acabou, a população reagiu. O caos se instaurou no país, longas filas se formaram nas agências, e os bancos não conseguiam cobrir o saque dos clientes. O comércio parou de funcionar.

A medida aumentou ainda mais a crise que o Brasil vinha passando, gerando uma inflação altíssima. Em 30 de julho de 1991, foi assinada uma portaria que autorizava a devolução do dinheiro a partir de 15 de agosto, em 13 parcelas mensais. Depois das críticas à falta de correção das cadernetas de poupança dos brasileiros nos meses de abril e maio de 1990.

Contudo, a situação já estava fora de controle, e obviamente, não foi possível fazer a devolução da maneira correta e muitos perderam tudo que tinha guardado, o que ocasionou até em suicídios. As coisas ficaram tão sérias que Collor sofreu um processo de impeachment antes de concluir seu segundo ano de mandato. Contudo, o presidente preferiu renunciar.

Poupança hoje

Dando um pulo na história, depois de muitos governos chegamos à poupança de hoje em dia que divide muitas opiniões, existem pessoas que não confiam no investimento, pelo histórico. Já outros só confiam na poupança e usam como única fonte de investimento.

Mas como funciona a poupança? Diferente de outros investimentos, a poupança praticamente não possui riscos, porque nada mais é que emprestar seu dinheiro ao banco em troca de uma taxa de rentabilidade.

Indo aos fatos, você deve estar se perguntando quando a poupança rende atualmente. Ela é determinada pelo comportamento da taxa Selic e da variação da TR (Taxa Referencial). A taxa Selic em 6,50% ao ano (dado de janeiro de 2019), o rendimento da poupança é  70% deste índice + TR, que está em 0%. Portanto, ela rende em torno de 4,55% ao ano. Alguns bancos oferecem remuneração adicional.

Nos últimos 20 anos, principalmente após os eventos do Plano Collor, a poupança variou bastante:

Ano

Retorno Absoluto (%)

Retorno Real Descontada a inflação (%)

1999

12,76

3,50

2000

8,32

2,21

2001

8,63

0,89

2002

9,27

-2,90

2003

11,21

1,75

2004

8,10

0,46

2005

9,21

3,33

2006

8,40

5,10

2007

7,77

3,17

2008

7,90

1,89

2009

7,05

2,63

2010

6,90

0,94

2011

7,50

0,94

2012

6,47

0,60

2013

6,37

0,43

2014

7,16

0,71

2015

8,07

-2,34

2016

8,07

-2,34

2017

6,57

3,62

2018

4,55

1,12

2019

4,55

0,80

Podemos perceber que ela, a inflação, é responsável por desvalorizar o dinheiro investido. Maior exemplo foram os anos de 2015 e 2016 em que inflação superou a poupança, ficando com o rendimento negativo.

Por isso, o rendimento da poupança não é dos melhores, senão o pior entre as modalidades de investimento. Outros meios oferecem segurança e mais rentabilidade, como Certificado de Depósito Bancário (CDB); Letra de Câmbio (LC);  Letra de Crédito Imobiliário (LCI); Letra de Crédito do Agronegócio (LCA); ou Tesouro Direto.

Se você está pensando em fazer um investimento, vale a pena pesquisar sobre todas essas opções e verificar qual se aplica melhor ao seu perfil, com a situação econômica do país, a poupança tende a ser cada vez menos rentável.